Sinais de alerta para o sistema imunológico.

Nesta época do ano, o início das mudanças de temperaturas torna resfriados e gripes mais comuns, afetado nosso sistema imunológico.

Entre os sintomas recorrentes dessas enfermidades estão a coriza, irritação nos olhos, dor de garganta e tosse. Dessa forma, para combater os sintomas, é comum que os acometidos recorram às farmácias para aliviá-los.

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Mas seja qual for a infecção viral, como um “simples” resfriado, que tem início mais lento e leve, ou uma gripe, mostrando sintomas mais fortes, sendo provocada, geralmente, pelos vírus Influenza (tipos A e B), os cuidados com os a automedicação devem ser os mesmos.

“É comum o emprego de analgésicos para as dores e febre, anti-histamínicos e descongestionantes nasais para as corizas e entupimento do nariz. Inclusive, muitos medicamentos apresentam vários fármacos em associação num único comprimido ou cápsula”, conta o coordenador da pós-graduação em Farmácia Clínica com ênfase em prescrição farmacêutica da Faculdade IDE, Diego Medeiros.

No entanto, é importante que os farmacêuticos alertem os pacientes sobre a automedicação responsável. “Além de orientar o paciente quanto ao uso dos medicamentos, o profissional deve esclarecer que, se os sintomas não minimizarem no período, um médico deve ser procurado para uma investigação sobre o quadro do paciente”, explica Medeiros.

Afinal, qualquer um desses fármacos, se usados com frequência e por um tempo maior que o recomendado, podem causar sérios prejuízos à saúde. Entre eles, os descongestionantes à base de substâncias vasoconstritoras, que trazem riscos com o uso prolongado.

Suplementação para melhorar o sistema imunológico

Alimentos Saudáveis

Uma alimentação equilibrada e variada é capaz de manter o sistema imunológico preparado para as diversas necessidades diárias. Portanto, os nutrientes e suplementos que podem ajudar a manter a imunidade em dia são:

  • Arginina

A suplementação com arginina aumenta a função imunológica em modelos humanos e animais, atuando na defesa do hospedeiro, processo inflamatório, cicatrização e uma série de adaptações fisiopatológicas1.

A administração oral de arginina também tem, igualmente, sido relacionada com a melhora do desempenho físico por provável diminuição da fadiga muscular. Esse efeito seria associado à vasodilatação promovida pelo óxido nítrico, resultando no aumento da perfusão muscular, e pela diminuição do consumo de glicose pelos músculos esqueléticos em atividade.

O óxido nítrico (NO) é um gás (molecular) que consiste na ligação co-valente entre um átomo de nitrogênio e um átomo de oxigênio.

Como a administração prolongada de arginina aumenta-se, assim, a produção de óxido nítrico e sua suplementação tem sido relacionada à melhora da função contrátil do músculo esquelético.

A suplementação de arginina pode também estar associada à melhora da força contrátil através de uma maior síntese de proteínas musculares em períodos de administração mais prolongados quando realizada concomitantemente a um programa de exercícios resistidos2.

  • Vitamina C

O ácido ascórbico, mais conhecido como vitamina C, tem, em primeiro lugar, participação no crescimento de tecidos, na regulação do Sistema Nervoso Central (SNC), na manutenção e integridade de vasos sanguíneos e na cicatrização de feridas. É também um agente antioxidante que tem papel na síntese do colágeno, na atividade imunológica dos leucócitos e nos processos inflamatórios, além de auxiliar na absorção intestinal do ferro3.

  • Ácido fólico

É importante para suprir e reforçar o desenvolvimento do cérebro do bebê, prevenindo doenças. Ele tem a função de prevenir malformação do tubo neural do feto, como por exemplo, o fechamento precoce quando está sendo formado4.

  • Vitamina A

É essencial não só para o crescimento, como também para o desenvolvimento do ser humano. Igualmente, atua  na manutenção da visão, no funcionamento adequado do sistema imunológico (defesa do organismo contra doenças, em especial as infecciosas), mantém saudáveis as mucosas (cobertura interna do corpo que recobre alguns órgãos como nariz, garganta, boca, olhos, estômago) que também atuam como barreiras de proteção contra infecções5.

  • Vitamina E

Com ação antioxidante, a vitamina E protege as células dos danos provocados pelos radicais livres devido a sua ação antioxidante. Assim, ajuda a prevenir doenças cardiovasculares. Também é aliada na luta de doenças cardíacas, combate os radicais livres e evita a fadiga6.

  • Ômega 3

Existem vários tipos de gorduras classificadas como ômega 3. Elas diferem quimicamente, de acordo com sua forma e tamanho.

Primordialmente, as mais importantes são: ácido eicosapentaenoico (EPA), ácido docosahexaenoico (DHA) e ácido alfa-linolênico (ALA).

A principal função do EPA é produzir substâncias químicas chamadas eicosanoides, que ajudam a reduzir a inflamação no organismo. Dessa forma, combatem diversos males que têm esse fator como desencadeante, como a obesidade, a artrite reumatoide e até algumas doenças cardiovasculares.

Além disso, equilibra os níveis de colesterol e de triglicérides no sangue, e também ajuda a reduzir os sintomas da depressão7.

  • Zinco

É necessário para a atividade de mais de 200 enzimas envolvidas na manutenção de importantes vias metabólicas do organismo. Assim sendo, entre as funções desempenhadas pelo zinco, destaca-se a sua participação nos processos de diferenciação celular, crescimento estatural, desenvolvimento neurológico e defesa imunológica8.

Fontes: 1. WU et al., 2000; CHIARLA et al., 2005; 2. Artigo “Investigação dos efeitos da suplementação oral de arginina no aumento de força e massa muscular”, da Rev Bras Med Esporte _ Vol. 13, Nº 2 – Mar/Abr, 2007; 2. Portal Guia da Farmácia, artigo “Vitamina C: A Aliada do sistema imunológico”; 3. Portal Guia da Farmácia, artigo “Ácido fólico e outros: é preciso tomar suplementos na gestação?”; 4. Biblioteca Virtual em Saúde, do Ministério da Saúde, artigo “Deficiência de vitamina A”; 6. Portal Guia da Farmácia, artigo “Qual a melhor vitamina de todas?”; 7. Portal do Hospital Sírio-Libanês, artigo “Ômegas, as gorduras do bem”; 8. Artigo “Deficiência de zinco: diagnóstico, estimativas do Brasil e prevenção”, revista Nutrire (2015)

Seis dicas para manter a imunidade em alta

  1. Uma boa alimentação e a suplementação de vitaminas e minerais adequados;
  2. Manter uma vida equilibrada, com boa alimentação, sono adequado, evitando, dessa forma, abuso de álcool e cigarro e diminuindo o estresse;
  3. Adotar cuidados básicos de higiene, que contemplam, em primeiro lugar, lavar as mãos e evitar mexer nos olhos, boca ou nariz com as mãos sujas;
  4. Praticar exercícios regularmente, contudo, sem excessos;
  5. Ter um hobby, praticando algo que traga satisfação e descanso mental, colecionar algo, correr, fazer uma luta marcial, ler, pintar, desenhar, etc., e fazê-lo com dedicação;
  6. Consultar um médico e fazer exames periódicos para prevenção de doenças crônicas.

Fontes: alergologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Dr. Alexandre Okamori; e alergologista do Hospital Vera Cruz, Dr. Celso Henrique Oliveira; e Zydus

“Como evento adverso pode ser provocado o ‘efeito rebote’, quando o corpo adquire dependência a uma determinada substância. Então, na ausência dela, o organismo provoca sintomas que acabam estimulando ao uso”, explica o farmacêutico. Contudo, outros medicamentos muito usados nesses quadros, como analgésicos e antitérmicos, quando utilizados indiscriminadamente, podem causar problemas gástricos.

Gripe x imunidade

Cansaço físico, indisposição, falta de apetite, alteração do sono e gripes frequentes. Muitas vezes, esses sintomas são entendidos apenas como uma indisposição causada pela vida agitada e cheia de compromissos. Mas podem ser sinais de alerta para algo mais sério – a imunidade baixa, o nome popular da imunodeficiência, ou seja, a diminuição das defesas do organismo.

A diretora secretária da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Dra. Fátima Rodrigues Fernandes, explica que há dois tipos de imunodeficiência. Em primeiro lugar, está a primária – causada por fatores genéticos que levam à alteração de produção de anticorpos. Em segundo lugar está a secundária, que ocorre como consequência de doenças crônicas (como anemia, desnutrição, diabetes, tumor, câncer…), doenças autoimunes e até mesmo determinadas cirurgias ou tratamentos.

Além do cansaço

Quando e como diferenciar o cansaço do dia a dia de um problema mais grave de imunidade? Segundo explica o alergologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Dr. Alexandre Okamori, os sintomas de alerta são cansaço excessivo, infecções frequentes, como otites, amigdalites, estomatites, episódios frequentes de herpes ou doenças infeciosas graves, como meningite, septicemia (infecção generalizada), bem como queda de cabelos.

As pessoas mais suscetíveis ao problema são aquelas que submetem o corpo a não apenas ao estresse físico, como também ao mental diariamente; têm alimentação irregular; sono instável; e, além disso, fazem consumo abusivo de álcool ou cigarro e usam medicamentos que afetam a imunidade, como corticoides.

Pacientes com algum defeito genético, com vírus da AIDS e desnutrição também são alvos mais fáceis.

Potencialize as vendas de MIPs para gripes e resfriados

Pontos de atenção: no Brasil e, até no mundo, está difícil definir a sazonalidade a não ser pelo calendário: o tempo e a temperatura andam muito instáveis, por isso, gripes e resfriados ocorrem em todos os meses e estações do ano; inclusive em locais com grande aglomeração de pessoas, como carnaval e outros eventos.

Mix ideal: compreende não apenas antigripais, como também analgésicos e antitérmicos, xaropes para tosse, lenços descartáveis, vitaminas, soro fisiológico, inaladores, vaporizadores, nebulizadores, umidificadores de ar, termômetros; gel antisséptico (álcool gel); entre outros.

Exposição estratégica: muitos desses produtos estão numa área de autosserviço da farmácia denominada Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) e estão ao alcance do consumidor, separados em espaços de Dor e Febre; Gripe e Resfriados; e Vitaminas.

Oportunidades no ponto de venda (PDV): em épocas de aumento de gripe e resfriado, além do ponto natural, devem existir, igualmente, pontos extras, chamando a atenção dos produtos e contendo ótima sinalização visual. Além disso, nesses locais, devem ser destacados produtos correlatos, pois uma pessoa resfriada pode precisar de vitaminas ou lenços de papel ou máscaras.

Fonte: consultora especializada em varejo farmacêutico, Silvia Osso

“O uso de medicamentos em tratamentos prolongados, internações ou cirurgias mais invasivas, como a de redução de estômago, podem levar à deficiência de algum nutriente necessário para o indivíduo”, comenta a Dra. Fátima.

Ademais, outros problemas que podem atrapalhar o andamento correto das defesas do organismo são a AIDS e as alergias. Igualmente, excesso de atividade física e distúrbios do sono também são possíveis causas.

Além dessas, a imunidade baixa decorrente do estresse crônico tem chamado a atenção dos médicos. “É aquele estresse diário e contínuo que causa descargas, feitas pelo próprio organismo, de catecolaminas – como a adrenalina, por exemplo – e cortisol em níveis acima do considerado normal”, explica o alergologista do Hospital Vera Cruz, Dr. Celso Henrique Oliveira.

Gabriel Amorim
Farmacêutico

Fonte: Guia da Farmácia

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