O paciente Valmir Cardinot Fragoso, de 51 anos, acordou com uma emoção diferente na quinta-feira (31). Acostumado com as mais diversas sensações – muitas delas dolorosas por conta de um câncer em estágio avançado nas amídalas – ele juntou forças para realizar um sonho antigo: casar com a companheira Cíntia Regina Galvão e mãe dos seus dois filhos, de 17 e 7 anos.

E foi com a ajuda dos voluntários da Associação Beneficente aos Portadores de Câncer de Itapetininga (ABPCI) que Valmir conseguiu realizar o sonho. A cerimônia religiosa foi na sede da associação com a presença de amigos e familiares. Para ele, foi o dia mais importante e emocionante de sua vida.

“Estava esperando por esse dia há mais de 20 anos e pensei que não iria conseguir. Se não fosse por ela [Cíntia] não sei o que seria de mim. Ela é uma guerreira. Estamos juntos há 22 anos e estou muito emocionado. Foi realizado o meu sonho”, conta Valmir.

O paciente descobriu o câncer nas amídalas em outubro de 2015, quando procurou atendimento médico para tratar uma dor na garganta.

Segundo Cíntia, ele fez quimioterapia no Hospital do Câncer em Jaú (SP) e, em março de 2016, os médicos informaram que ele havia sido curado.

Porém, dois meses depois, a doença voltou e o diagnóstico para a família foi de que estava em fase terminal. Atualmente, o tratamento com medicamentos é feito em Itapetininga.

A assistente social Michelle Aparecida Prestes conta que os voluntários da associação ficaram comovidos com a história do casal, que ainda não tinha oficializado a união, já que Valmir não havia dado baixa nos papéis do seu primeiro casamento, no Rio de Janeiro.

Por isso, os voluntários resolveram conseguir os documentos do divórcio e dar uma festa de casamento.

“Soubemos da história do casal, do pouco tempo de vida do paciente e do desejo de se casarem, mas havia esse problema burocrático. Então, cerca de 20 pessoas se mobilizaram. Foi um processo difícil devido à distância, já que a ex-mulher dele não conseguia vir até São Paulo e ele não está em condições de fazer uma viagem longa. Tivemos que fazer uma procuração para dar sequência ao pedido de separação. Levou oito meses para que a certidão de divórcio ficasse pronta”, explica.

Com o divórcio em mãos, o sonho do casal finalmente pôde ser realizado. Na quarta-feira (30) os dois oficializaram o matrimônio no cartório e na quinta-feira houve a cerimônia religiosa.

“Quando soube que ele iria casar fiquei surpresa e muito feliz, pois há anos eles queriam isto. Esotu realmente feliz por termos tido essa oportunidade”, diz Cíntia.

Cerimônia

A cerimônia religiosa teve direito a buquê, vestido de noiva, alianças e amigos emocionados. Valmir chegou acompanhado pela mãe, Maria Nilza Cardinot Fragoso, de 79 anos, que veio de Nova Friburgo, interior do Rio de Janeiro, para celebrar esse momento junto com o filho.

Em um vestido branco longo, acompanhada da filha caçula de 7 anos e ao som de “Que bom que você chegou”, da cantora gospel Bruna Karla, Cíntia foi ao encontro de seu amado para celebrar a união dos dois.

“Na hora veio tudo na minha cabeça desde quando nos conhecemos, como se fosse um filme, não teve como segurar o choro”, conta Cíntia.

Amor à primeira vista

Cíntia relata que eles se conheceram em uma roda de samba e foi amor à primeira vista. Na época, ela tinha 21 anos e estava no último ano da faculdade de educação física. Já Valmir estava com 29 anos, havia acabado de se mudar para Itapetininga onde trabalhava como promotor de vendas.

“Nos conhecemos em uma roda de pagode. Eu não costumava ir a festas assim, mas acabei indo neste dia com algumas amigas. Ele, carioca puro, sempre foi apaixonado por um pagode. Foi então que nós encontramos e foi amor à primeira vista”, lembra.

Ainda segundo Cíntia, depois desse dia, eles começaram a conversar e não demorou muito para namorarem. Após cinco anos juntos, nasceu o primeiro filho que hoje tem 17 anos e, em 2010, nasceu a caçula, de 7 anos.

“Toda essa luta que a gente vive diária eu lembrei quando entrei. Eu estou sentindo que o dever foi cumprido. Estamos muito felizes e agradecemos a todos para quem participaram dessa luta”, diz o casal.

O oncologista Fabrício Colli Badino explica que o tratamento de Valmir não é fácil e exige muitos cuidados. Para o profissional, a atitude de ajudar o paciente a realizar o sonho foi importante para seu tratamento.

“É importante o paciente se sentir acolhido, se sentir importante, do porque estar vivo. Isso é fundamental, isso faz diferença no tratamento. A gente que trata fica bem feliz e emocionado”

Fonte; G1