Embora o risco de desabastecimento hídrico no Triângulo Mineiro seja considerado pequeno pelos órgãos que atuam no setor, a chegada de chuvas regulares é esperada para garantir que a oferta de serviço seja mantida. O G1 procurou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para saber como andam os reservatórios da região e também os órgãos responsáveis pelo abastecimento das principais cidades, Uberlândia e Uberaba, para saber como está a situação dos rios. Na maioria dos casos, o nível dos reservatórios permanece baixo.

A longa estiagem que prevaleceu nos últimos meses deixou várias cidades em alerta quanto à economia de água. A seca prolongada também afetou o nível dos reservatórios das hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste, que produzem 70% da energia do país. A situação mais crítica foi registrada na Usina de Marimbondo, que está com o volume útil cerca de 70% menor em comparação com 2016.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as chuvas sequenciais devem ocorrer no Triângulo Mineiro apenas depois do dia 24 de outubro. As chuvas isoladas que atingiram a região nos últimos dias não foram tão significativas em relação à umidade, que continua baixa. Até a próxima semana, a tendência é de céu claro, parcialmente nublado, com alguns eventos de névoa seca e chuvas pontuais.

Nível dos reservatórios

Nas hidrelétricas, com relação à geração de energia, o risco de racionamento é nulo. No entanto, comparado ao mesmo período de 2016, o volume útil das usinas do Triângulo Mineiro é menor. Abaixo, veja os níveis de cada represa da região, com dados atualizados pela ONS nesta terça-feira (17), que foram comparados com os níveis do dia 17 de outubro de 2016.

  • Na represa de Emborcação, o volume atual é de 18%, contra 35,2% no mesmo dia em 2016. O início das operações em Emborcação, que é localizada em Araguari, foi em 1982. O volume do reservatório é de 17.724,72 hm³;
  • Na Usina de Marimbondo, o volume no dia 16 de outubro de 2016 estava em 46,07%; agora, o nível está em 12,40%. A usina, uma das mais importantes do subsistema Rio Grande, está entre as cidades de Fronteira (MG) e Icém (SP). O menor volume útil já registrado foi de 3,23%, em dezembro de 1999;
  • Em Nova Ponte é de 17,67%, contra 24,67% de 2016. A usina de Nova Ponte entrou em operação em janeiro de 1994 e é formada pelo Rio Araguari. Ela tem área da bacia de drenagem de 15.358 km²;
  • Já em São Simão, o registro é de 18,03%. Em 2016, foi de 38,82%, de acordo com dados do ONS. Localizada em Santa Vitória e São Simão (GO), a represa começou a operar em 1978.

A ONS explicou que, diferentemente dos mananciais para abastecimento municipal, as hidrelétricas têm um sistema nacional interligado. Mesmo que uma represa localizada no Triângulo Mineiro esteja bem abaixo do volume ideal, o sistema não é prejudicado, pois outros reservatórios com níveis melhores auxiliam na geração de energia.

Abastecimento em Uberlândia

Em Uberlândia, os mananciais que abastecem a cidade são o Rio Uberabinha e Ribeirão Bom Jardim. No começo de setembro, a cidade ultrapassou 100 dias sem chuva e chegou a ficar em estado de alerta em relação ao abastecimento. O consumo de água aumenta no tempo mais seco e, segundo o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), de janeiro até agora, a população já consumiu mais de 46 bilhões de litros. Ainda de acordo com o Dmae, os níveis dos canais estão satisfatórios, porém a população precisa continuar economizando.

Entre os dias 30 de setembro e 7 de outubro, o consumo médio por dia da população foi de 158.169,46. Entre os dias 8 e 15 deste mês, o índice subiu para 166.950,73. Diante dos registros elevados, os especialistas do Dmae voltaram a alertar a comunidade sobre a necessidade de se usar conscientemente a água para evitar escassez.

A chuva registrada no final de setembro favoreceu a recuperação da vazão do Rio Uberabinha e do Ribeirão Bom Jardim, mantendo os canais estáveis em 2,9 metros.

“Porém, é necessário continuar economizando, pois ainda não se iniciou o período chuvoso. Para manter o abastecimento, o Dmae está com os sistemas hidráulicos desligados, pois para bombear 1 litro de água é necessário gastar 6 litros para movimentação da turbina. Durante o período de estiagem o Dmae utiliza apenas motores elétricos para garantir o abastecimento de água”, explicou Rejane.

Abastecimento em Uberaba

Após a chuva registrada na noite desta segunda-feira, houve uma boa recuperação da vazão do Rio Uberaba, segundo o Centro Operacional de Desenvolvimento e Saneamento de Uberaba (Codau). A vazão subiu para 1.100 litros/segundo, mas por precaução, o Codau mantém os três motores do sistema de transposição do Rio Claro acionados.

Ainda segundo a autarquia, o abastecimento do município está normalizado e todos os reservatórios estão em atividade, sem necessidade de manobras de fechamento. Se as precipitações pluviométricas continuarem em volume médio, a situação tenderá para uma recuperação mais rápida da vazão do Rio Uberaba.

“Entretanto, neste momento, o cenário ainda não está definido e a orientação do Codau é para que a população continue a economizar e eliminar atitudes de desperdício de água”, reforçou a autarquia.

No dia 23 de setembro, a cidade havia completado exatos 100 dias sem chuva, considerada a estiagem mais longa da história. Devido à situação crítica de estiagem, o presidente do Codau, Luiz Guaritá Neto, chegou a fazer um alerta à população sobre a importância de economizar água, já que o consumo na cidade aumentou em cerca de 20% nos últimos meses.

Um Decreto de Combate à Crise Hídrica também foi publicado no último mês. Desde o dia 21 de setembro, quem for pego lavando calçadas, ruas, veículos ou regando jardins com mangueira ou outro utensílio que permita o escoamento de água contínua, será autuado na cidade. Em caso de reincidência, será aplicada uma multa.

Fonte: G1