O investimento em publicidade digital aumentou 15% no Brasil em 2017, chegando a 3,36 bilhões de dólares, de acordo com a multinacional de pesquisa de mercado eMarketer. As empresas, inclusive, estão priorizando Facebook Ads e Google AdWords, segundo levantamento da Content Trends.

Além disso, a crescente popularização da internet e das redes sociais, especialmente entre os brasileiros, tem transformado as estratégias das organizações. Anteriormente habituadas a trabalhar ações offline, como anúncios em revistas, panfletagens e outdoors, as equipes de marketing se viram diante de um novo desafio — conquistar potenciais consumidores por meios online.

Esse cenário evidencia uma carreira cada vez mais em alta no mercado: o profissional de marketing digital. Patricia Amaro, diretora de e-commerce e digital da Unilever na América Latina, conta que não é mais possível considerar um profissional que não entenda do assunto. “Isso é mais do que obrigatório, principalmente quando você está falando das áreas de marketing e comunicação”, diz a profissional, ressaltando que esse conhecimento adicional pode trazer vantagem competitiva durante processos seletivos na Unilever.

Diferenças

Existem duas perspectivas que diferenciam o profissional de marketing tradicional e o especialista em marketing digital. A primeira é técnica: para atuar com marketing digital é preciso ser um profissional orientado à performance. “Ele precisa entender não só sobre fundamentos de marketing, mas também de estratégia de conteúdo, redes sociais, otimização de sites, e-mail marketing e mensuração de campanhas”, explica Renata Goldfarb, gerente de produtos responsável pelo curso Nanodegree Marketing Digital da Udacity, empresa de cursos online.

Além da necessidade de saber como construir, executar e mensurar os projetos online, o segundo diferencial do especialista em marketing digital é que ele possui um perfil bem específico. “Em marketing digital, é preciso ser muito mais adaptativo, estar confortável com as transformações e conseguir ter uma visão um pouco mais à frente, além de saber encontrar oportunidades e ter disposição a riscos”, aponta Patricia Amaro, da Unilever.

O profissional tradicional de marketing tem mais dificuldade para entender esse novo mundo em transição. Para Patricia, é preciso conseguir compreender os sinais que indicam o que vem por aí. “Claro que tudo o que a gente fez em marketing tradicional até aqui é muito importante, mas precisamos começar a adicionar outros elementos nessa equação.”

“O conselho que eu daria para o profissional de marketing hoje é que ele se preocupe em desenvolver recursos para aprender a ler sinais em vez de buscar aprender fórmulas do sucesso. E esses recursos podem ser disciplinas adjacentes, como sociologia e psicologia, para entender o que está acontecendo com o mundo e a sociedade, além de conhecer sobre tecnologia, estar atualizado com esse novo mundo de inteligência artificial e tudo o que está sendo transformado em nossa vida”, sugere Patricia. “Isso que vai transformar os profissionais em líderes e, consequentemente, trazer trajetórias de sucesso.”

Na Unilever, a área de marketing digital foi dividida entre os setores de digital, e-commerce e business intelligence. Nos últimos anos, ela vem ganhando peso na estratégia da empresa. Há quase seis anos, a equipe era formada apenas pela atual diretora. Hoje, são cerca de 40 pessoas trabalhando exclusivamente com os projetos de digital e e-commerce.

E a tendência de contratar cada vez mais profissionais de marketing digital não é exclusiva de grandes empresas. Pequenos e médios negócios também estão apostando no profissional de mídia digital.

FONTE: EXAME