Estudo brasileiro pode ajudar na busca por vida extraterrestre

Pesquisadores do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia em Materiais), em Campinas, no interior de São Paulo, criaram imagens 3D de formas de vida de aproximadamente 1,9 bilhão de anos atrás. As fotos foram feitas com a ajuda de um método avançado de produção de imagens, e são as mais detalhadas já produzidas até hoje.

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A análise foi feita em parceria com pesquisadores da Suíça e da França, e abre caminho para novos estudos com fósseis, que são usados há décadas para entender o surgimento e a evolução da vida na Terra, e até mesmo para ajudar na busca por vida em outros planetas.

De acordo com o CNPEM, os microfósseis foram encontrados na Formação Gunflint, no Canadá, e têm cerca de 1,88 bilhão de anos. Os restos preservam microorganismos semelhantes às bactérias atuais, mas que viveram durante um período em que apenas organismos microscópicos habitavam o planeta. A Formação Gunflint é bem conhecida por paleontólogos por ser referência em preservação de fósseis.

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Lâmina de rocha analisada. Os microfósseis se encontram nas áreas vermelhas/Foto: Divulgação

Para produzir as imagens, os pesquisadores usaram raios-X do tipo síncrotron, etapa que foi realizada pelo Instituto Paul Scherrer, por meio do Swiss Light Source. A técnica envolve feixes de luz muito intensos produzidos por grandes aceleradores de partículas chamados síncrotrons.

Usando essa técnica de tomografia em alta resolução, foi possível observar os microorganismos em três dimensões dentro de minúsculos pedaços de rocha, sem precisar quebrá-las. Assim, os cientistas conseguiram reconstruir as células e observar como os processos geológicos e o tempo afetaram sua forma e composição original.

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A 1ª imagem é resultado da análise microscópica; as demais são visualizações em 3D de tomografia de raios-X em diferentes planos/Foto: CNPEM

A única fonte de luz síncrotron na América Latina fica no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, em Campinas. É onde trabalham os pesquisadores Lara Maldanis, doutora pelo Instituto de Física de São Carlos (USP), e Douglas Galante, pós-doutor em astronomia pela USP, líderes do estudo.

Ao longo da análise, descobriu-se também que, ao contrário do que se imaginava, fósseis antigos não tinham revestimento de hematita. Na verdade, eles eram compostos de material orgânico (invisível na microscopia óptica) e revestidos com cristais de maghemita de óxido de ferro.

“Isso mostrou que, no nível das células e em contato com a matéria orgânica, os óxidos de ferro seguem um padrão de transformação diferente do resto da formação, o que aprimora nossa compreensão de como essas estruturas foram preservadas e como foram alteradas depois de permanecerem enterradas por bilhões de anos”, disse o CNPEM em comunicado.

O instituto acrescentou ainda que o grande desafio em estudos como esse está nas características dos microfósseis, que têm apenas alguns micrômetros de diâmetro – dez vezes menos espessos que um fio de cabelo humano. Além disso, o material sofre alterações geológicas com o passar do tempo, causadas pela pressão e temperatura das rochas acima dele.

Por isso o resultado da pesquisa é importante. “Usando técnicas como esta, a ciência poderá revelar mais detalhes sobre os primeiros vestígios de vida na Terra ou mesmo em Marte, que nos ajudarão a responder algumas das questões mais intrigantes da ciência: como a vida surgiu na Terra? E estamos sozinhos no universo?” concluíram os pesquisadores.

Via: UOL

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