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Cade aprova, com restrições, compra da Votorantim Siderurgia pela ArcelorMittal

O Plenário do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou nesta quarta-feira (7), por quatro votos a dois, a compra da Votorantim Siderurgia pela ArcelorMittal Brasil, mas com restrições.
O acordo entre as empresas foi anunciado em fevereiro do ano passado e envolve a união das operações de aços longos no país.
A ArcelorMittal é líder de aço e de mineração do mundo, com presença em 60 países e unidades industriais em 19 países. Em 2016, a empresa teve uma receita de US$ 56,8 bilhões e produção de aço bruto de 90,8 milhões de toneladas, enquanto a produção própria de minério de ferro atingiu 55,2 milhões de toneladas.
Já a Votorantim é uma companhia 100% brasileira que atua em diversos setores: cimento, polimetálicos, alumínio, aços longos, energia, celulose, suco de laranja e banco. Em 2015, a receita líquida consolidada da Votorantim S.A. totalizou R$ 31,5 bilhões.
Segundo as empresas, a combinação dos negócios resultará em um produtor de aços longos com capacidade anual de produção de 5,6 milhões de toneladas de aço bruto e de 5,4 milhões de toneladas de laminados.
Pelo acordo, a Votorantim Siderurgia passará a ser uma subsidiária da ArcelorMittal Brasil. Além disso, a Votorantim passará a deter uma participação minoritária no capital da ArcelorMittal Brasil.
O acordo incluía inicialmente as plantas da ArcelorMittal Brasil em Monlevade, Cariacica, Juiz de Fora, Piracicaba e Itaúna, e as plantas da Votorantim Siderurgia em Barra Mansa, Resende e a participação acionária na Sitrel, em Três Lagoas. As empresas anunciaram que a transação deverá gerar sinergias de custos, logísticas e operacionais.

Restrições impostas pelo Cade

Segundo o voto da relatora, Polyanna Ferreira Silva Vilanova, seguido pela maioria dos conselheiros, a ArcelorMittal terá de vender sua planta de aços longos de Cariacica, no Espírito Santo, transferir contrato de arrendamento da planta de Itaúna (MG) e vender duas unidades de trefilação de aço para poder concluir a operação.
Vilanova avaliou que, com essas medidas, “todas as preocupações concorrenciais” surgidas com a operação ficam solucionadas. Por fim, ela concluiu que o acordo representa “significativa redução de aumentos de preços em todos mercados analisados”.
“Buscou-se uma solução com remédios estruturais, que pudesse ser efetiva”, declarou Vilanova.
A decisão não foi, porém, unânime. A conselheira Cristiane Alkmin votou contra a operação, pois avaliou que havia “insuficiência e ineficácia dos remédios [propostos para autorizar a compra]”.
“Todos nós vamos comprar apartamentos ou casas mais caros por isso tudo. É um mercado com histórico problemático em termos de condutas anticompetitivas, o de segmento de aços longos. Sem qualquer beneficio aparente para o consumidor quando a economia começar a crescer a e capacidade ociosa começar a se reduzir”, declarou Alkmin.

Posição das empresas

Após o julgamento, a Votorantim informou, por meio de nota à imprensa, que as duas empresas (Votorantim e ArcelorMittal Brasil) “sempre acreditaram nos méritos da operação, como forma de capturar sinergias, favorecer seus clientes e aprimorar suas operações diante do cenário desafiador que o mercado mundial de siderurgia vem enfrentando nos últimos anos”.
Já a ArcelorMittal Brasil avaliou, também por meio de nota, que a operação “trará significativas oportunidades operacionais, industriais e logísticas, que poderão melhorar sua posição competitiva”.
“A aquisição dos ativos da Votorantim Siderurgia demonstra a confiança da ArcelorMittal no país e na recuperação da economia brasileira, trazendo ganhos de escala, maior eficiência para o negócio e um portfólio ainda mais completo para os clientes”, acrescentou a empresa.

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