Após passar por transplante de medula, garota que sonha em ser jornalista mostra como se tornar um doador

“Tivemos momentos de agonia e de desespero, mas agora só temos motivos para comemorar e voltar a viver”, diz a mãe da adolescente Lara Lang, 12 anos, Divone Alves Domingos.

Lara foi diagnosticada com leucemia aos três anos e após encontrar um doador de medula compatível, recebeu a notícia de que ele estaria “indisponível”. Poucos meses depois, ela conseguiu outro doador, e o transplante foi realizado com sucesso.

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Em dezembro do ano passado, a garota, que sonha em ser jornalista, foi repórter do G1 por um dia e mostrou o clima natalino no hospital. Ela pediu como presente o doador de medula óssea.

A segunda missão dela como repórter foi mostrar como é simples se tornar um doador de medula óssea, já que pelo menos 850 pessoas ainda procuram por um doador compatível em todo o país, segundo o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome).

Atualmente, conforme dados do Redome, são mais de 4,3 milhões de doadores cadastrados em todo o país, mas a chance de encontrar compatibilidade é de uma a cada 100 mil. Desse total, 600 mil estão cadastrados no Paraná.

O Redome é o terceiro maior banco de doadores de medula óssea do mundo e pertence ao Ministério da Saúde. Anualmente são incluídos mais de 300 mil novos doadores no cadastro em todo o país.

Vida nova

Lara tem 12 anos e tem o sonho de ser jornalista  (Foto: Rodrigo Fonseca ) Lara tem 12 anos e tem o sonho de ser jornalista  (Foto: Rodrigo Fonseca )

Lara tem 12 anos e tem o sonho de ser jornalista (Foto: Rodrigo Fonseca )

A leucemia de Lara foi e voltou três vezes. Nesse período, lembra a mãe, foram muitos momentos de tensão e sofrimento em achar que tudo tinha se resolvido, mas a boa notícia nunca era a que prevalecia. Agora, a adolescente já pode fazer muitas coisas que não fazia antes como se alimentar com frutas e saladas e ir em locais públicos.

“Os médicos ainda dizem que a Lara ainda precisa ter alguns cuidados, eles não falam em cura. Eles só falam que ela está bem no momento. Mas a gente acredita que ela esteja curada para sempre. Agora a gente quer que ela recupere tudo que ela deixou de fazer ou por algum motivo nós não pudemos dar pra ela durante o tratamento. A gente espera que o futuro dela seja muito brilhante, animador e que ela continue sempre com essa luz de esperança, de alegria, e que a vida dela seja muito iluminada”, argumentou Divone.

Quem pode doar

Para se tornar um doador de medula óssea é preciso:

  • Ter entre 18 e 55 anos de idade
  • Estar em bom estado geral de saúde
  • Não ter doença infecciosa ou incapacitante
  • Não apresentar doença neoplásica (câncer), hematológica (do sangue) ou do sistema imunológico
  • Algumas complicações de saúde não são impeditivas para doação, sendo analisadas caso a caso
  • Não é necessário estar em jejum, porém, é preciso evitar alimentos gordurosos nas quatro horas que antecedem a coleta.

Se for verificada compatibilidade com algum paciente cadastrado o doador é, então, convocado para fazer testes confirmatórios e realizar o procedimento.

Para quem já é um doador, o Hemepar alerta para a importância da atualização do cadastro regularmente.

Como funciona o transplante

Mais de 600 mil pessoas estão cadastradas como doadores de medula no Paraná  (Foto: Rodrigo Fonseca ) Mais de 600 mil pessoas estão cadastradas como doadores de medula no Paraná  (Foto: Rodrigo Fonseca )

Mais de 600 mil pessoas estão cadastradas como doadores de medula no Paraná (Foto: Rodrigo Fonseca )

O transplante de medula óssea consiste basicamente na substituição de uma medula óssea doente, ou deficitária, por células normais da medula óssea, com o objetivo de reconstituição de uma nova medula saudável.

O procedimento é feito em um centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral, e requer internação de 24 horas. A medula é retirada do interior de ossos da bacia, por meio de punções. O procedimento leva em torno de 90 minutos.

A medula do doador se recompõe em 15 dias. De acordo com os médicos, nos primeiros três dias após a doação pode haver desconforto localizado, de leve a moderado, que pode ser amenizado com o uso de analgésicos e medidas simples.

Normalmente, os doadores retornam às atividades habituais depois da primeira semana após a doação.

Também há outro método de doação chamado coleta por aférese. Neste caso, funciona da seguinte forma: o doador faz uso de uma medicação por cinco dias com o objetivo de aumentar o número de células-tronco circulantes no seu sangue. Após esse período, a pessoa faz a doação por meio de uma máquina de aférese, que colhe o sangue da veia do doador, separa as células-tronco e devolve os elementos do sangue que não são necessários para o paciente. Este método não exige a necessidade de internação nem de anestesia.

A decisão sobre o método de doação mais adequado depende dos médicos assistentes, tanto do paciente quanto do doador, e será avaliada em cada caso.

Veja a nota divulgada pelo Hospital Pequeno Príncipe sobre o caso da Lara

“Conforme solicitado, o Hospital Pequeno Príncipe informa que o estado de saúde da paciente Lara Cristina Lang é estável. Ela passou por um transplante de medula óssea no próprio hospital há 100 dias – para tratamento de leucemia, e encontra-se, atualmente, em controle da doença, considerando suas peculiaridades.

Lara continuará em acompanhamento médico periódico como todo paciente que passa pelo procedimento de transplante de medula, conforme protocolo do Pequeno Príncipe.

O Hospital Pequeno Príncipe trabalha pela proteção da criança e do adolescente, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e aplicando o Código de Ética Médica do Conselho Federal de Medicina. Dessa forma, preserva o sigilo que pertence ao paciente e as informações detalhadas sobre o tratamento são passadas somente para os responsáveis.

As equipes do Pequeno Príncipe estão à disposição da família de Lara e torcem pela sua pronta recuperação”.

Lara tem vários sonhos, um deles é o de ser jornalista  (Foto: Giuliano Gomes/ PR PRESS) Lara tem vários sonhos, um deles é o de ser jornalista  (Foto: Giuliano Gomes/ PR PRESS)

Lara tem vários sonhos, um deles é o de ser jornalista (Foto: Giuliano Gomes/ PR PRESS)

  • Curitiba
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